Na altura, com a licenciatura ainda por concluir e com a partida daquele que durante meses me ocupou metade do tempo tive a necessidade de começar por evidenciar algumas questões práticas com as quais me deparei de forma a esclarecer os que se encontrassem na mesma situação.
Consolidando agora o conhecimento prático com as bases teóricas que me foram transmitidas no decurso da licenciatura, considero oportuna a abordagem à actuação do serviço social no envelhecimento e em especial junto de portadores de alzheimer e suas famílias.
O trabalho do assistente social numa resposta para idosos transcende ou pode vir a transcender muito aquilo que é categoricamente estabelecido. O assistente social é mais que papéis, burocracias, admissões e atendimentos sociais. O assistente social deverá promover a mudança, empowerment e bem estar daqueles que assiste. Talvez haja mais a fazer do que aquilo que se faz na realidade, porque as respostas raramente se encontram dentro de gabinetes de onde as necessidades reais das pessoas se encontram ausentes. É por isso que defendo e sempre defendi o trabalho de terreno que privilegie as relações com as pessoas.
Essas minhas crenças enraizadas emergiram com maior profundidade à medida que a minha experiência profissional se vai construindo. As pessoas precisam de ser ouvidas, e nós precisamos de conhecer as pessoas para ir ao encontro das suas expectativas e necessidades para assim trabalhar numa melhoria continua.
Foi por isso que na minha primeira experiência (pré) profissional no Centro Social de Mosteiros, enveredei pelo trabalho com idosos, mais propriamente para os que tinham a doença de alzheimer. Uma instituição de pequena ou média dimensão (como era o caso) permitia uma intervenção mais personalizada, tendo por isso aplicado o mini mental state examination (MMSE) e identificado aqueles que tinham mais queixas a nível mnésico para posteriormente lhes proporcionar actividades adequadas para a sua estimulação cognitiva.Outro dos pressupostos ao ter uma atitude de maior presença com estes doentes era uma maior proximidade à família para prestar apoio de retaguarda aos cuidadores.Com a passagem pela Câmara Municipal de Moura, deparei-me com a importância dos programas na área dos idosos implementados pela rede social e pela administração local, tal como é referido por Carvalho (2014, Serviço Social Teorias e Práticas), uma vez que as iniciativas direccionadas com este público são consideradas como promotoras do envelhecimento activo e por conseguinte do seu bem estar e envolvimento social. Exemplo disso são as comemorações do mês do Idoso, passeios culturais e programas que tenham em conta o combate ao isolamento e solidão naqueles meios (Rede de afectos e Banco do tempo). Foi realmente um privilégio ter podido intervir em todos eles, quer a nível burocrático quer prático. Em todas as iniciativas, além de ter feito um trabalho de programação e preparação, acompanhei os grupos e tive oportunidade de aplicar inquéritos para perceber as necessidades desta população etária, podendo assim diagnosticar e encaminhar problemáticas para traçar formas de actuação no futuro. Dada a elevada prevalência de idosos com pouca retaguarda familiar é de salientar as iniciativas a eles destinados, particularmente da criação do Projecto da Rede de afectos que visa combater o isolamento e a solidão. De notar ainda que ao contribuir para um envelhecimento activo se está a trabalhar simultâneamente na diminuição de probabilidade de desenvolver algum tipo de demência.



