quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Um encontro solarengo

Entre o amanhecer soalheiro alentejano surgem as vozes sábias e audazes de quem possui uma maleta de conhecimentos e heranças históricas que não se podem perder no tempo. Muitos deles, engelhados pelo desgaste do passar dos anos e das agruras que a vida porventura lhes trouxe, os idosos alentejanos vivem à margem da solidão por entre ruelas quase desertas.
Pais e mães de família, estão agora sós, aqueles que em muito contribuíram para a natalidade em idade fértil e que não lhes deixou escapar a memória do eco das alegrias espalhadas nas ruas cheias de crianças. O povo alentejano foi durante muito tempo um grande criador de novas gerações, sendo por isso bastante comum as famílias acima dos cinco ou seis filhos.
Mas tudo isso foram tempos idos, que a memória agora é incapaz de resgatar, os filhos partiram para outras paragens de maior dimensão ou além fronteiras e os nossos idosos ficaram sós, de mãos dadas ao conjugue ou apenas acompanhados de solidão. Muitos deles viúvos e viúvas, outros tentando entreajudar-se mutuamente enquanto casal, vêm as ruas despidas da gente que lhes dava vida e as levou dali.
Um retrato saudosista onde impera o isolamento e a solidão, um panorama real de quando percorremos esses trilhos e ainda se ouve um "Bom dia" como quem nos quer prender por mais uns momentos e poder dizer mais alguma coisa. Foi assim que passei um dia pelas terras de Beja, Serpa e Moura.


À semelhança dos objectivos lançados por outros projectos que já abordei aqui, fui "Ao encontro de um amigo", um encontro que pode ser possível quer para voluntários ou beneficiários que se encontrem no concelho de Beja. O propósito deste encontro teve o seu foco na questão do isolamento social a que estão expostos grande parte dos idosos daquela zona geográfica. Os idosos estão sós e a Santa Casa da Misericórdia de Beja, pretende travar esse desafio.
Trata-se de um projecto direccionado para a área do envelhecimento cuja executabilidade passará por um corpo de voluntários que venham a estabelecer uma relação de proximidade com os idosos. Além do combate ao isolamento social, fomenta o bem estar físico e mental dos idosos, prestando um acompanhamento de retaguarda semanal com visitas que facilitem o acesso a serviços, retardem o declínio cognitivo e promovam momentos de lazer na comunidade.

Estando ainda na fase inicial de implementação, o projecto encontra-se na fase de recepção de inscrições quer por parte de idosos com pouca (ou sem) retaguarda familiar, bem como de voluntários motivados e disponíveis para este encontro de gerações.

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