sábado, 30 de maio de 2015

No centro da solidão... a mudar os paradigmas da velhice

Por  vezes ouve-se falar entre dentes e receosamente sobre o mito que concerne um significado de finitude à velhice. São velhos! Estão por todo o lado, no interior, no litoral, no norte, no sul, no centro...
Uma realidade que se foi construindo desde alguns anos fruto do comportamento demográfico da população portuguesa (e não só). Mas ser velho não é um problema!
Não o é se olharmos para esta população contemplando as suas vivências e quotidianos agora longínquos dos nossos dias, trazendo saberes e conhecimentos que se têm vindo a perder...
Em cada ruga uma história, uma memória.
Carregados de rugas e de anos eles trazem uma bagagem de conhecimentos e saberes que se vão ocultando com o passar dos tempos, saberes esses que se ocultam, que tentam desmoronar a história que nos trouxe ao presente actual. Ao desrespeitá-los, desprezando-os estamos  a saquear o nosso próprio passado aquilo que permitiu que a nossa existência fosse possível.
Merecem respeito, mas será que estamos a fazer garantir esse direito enquanto sociedade?
Será que respeitá-los passa só por lhes proporcionar melhores condições de saúde que outrora?
Será que passa por olhá-los penerosamente? Não são as rugas que lhes tiram humanidade, acrescentam-lhes vida, experiência, memórias, saberes e tantas outras coisas que em muitos casos ficam condensadas no meio de quatro paredes.
Muitas das vezes adormecem e acordam apenas na companhia daqueles pedaços de betão que lhes dá tecto... No interior muitas vezes sozinhos pela falta de vizinhança, particularmente nas zonas mais rurais.
Mas ao invés do que se poderia pensar, existe solidão no centro de tudo... Existem aqueles que têm tudo em seu redor e estejam privados de manter a sua autonomia e actividade diária devido às limitações que o estado físico confronta perante as fracas acessibilidades dos prédios centenários onde habitam.
Por detrás desses muros existem silêncios, monólogos enfraquecidos pela tristeza e solidão dos que não têm ninguém e passam os dias sozinhos. Isto acontece e não é novidade!
Por vezes basta estar, ali.
Só hoje conheci a Associação Mais Proximidade melhor vida, cujo projecto de intervenção se dirige a este tipo de problemática na expectativa de combater o isolamento e solidão dos idosos partindo de diversas parcerias de ordem social. Sem dúvida um projecto para conhecer, onde podem ser voluntarios. Está sediado na baixa Pombalina, mais propriamente na Rua do Ouro e apoia cerca de 160 idosos gratuitamente.
Um projecto interessante que dá gosto conhecer.


Mais informação aqui: http://www.mpmv.pt/mpmv/o-que-fazemos/

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