Doeu muito. Doeu demais. Para mim e para ti (para ele a quem escrevo tudo o que aqui é falado) que as ouviu como se lhe tivessem a ler a sentença. Não gostei, ninguém gosta. Apeteceu-me bater naquele instante no mensageiro da morte anunciada. Ele não tinha o direito de o fazer, ali diante daquele ser que eu tanto amo.Nesse dia chorei, eu sabia que na realidade aquilo que eu tivera dele iria tê-lo para sempre, a pessoa, a sua essência estava resumida a um corpo quase vazio, quase... porque os sentimentos continuavam lá até ao último segundo. Até ao momento em que me mostraste que "NÃO TE QUERO VER CHORAR" (daí o nome do blog).
Podiam ausentar-se instantaneamente e regressar sem que os evocássemos mas só pedias que cuidasse de ti com o coração, que não renegasse o amor que senti por ti durante toda a minha vida, e que acreditasse nele até ao fim, porque isso seria a melhor forma de comunicar contigo (...)
Nesse dia eu não queria ir, estava com medo de não me despedir de ti, só depois percebi que nunca nos despedimos de quem amamos porque essas pessoas continuarão connosco para sempre seja qual for o trajecto que o destino nos trace. Eu sempre tive um problema com despedidas, nunca as aceitei muito bem, nem nunca aceitei aquele ultimo abraço ou beijo como despedida autêntica, afinal de contas a vida é feita de momentos...
(...) Eram perto de quatro horas e tive de ir, no dia seguinte teria uma frequência mas sinceramente que depois das palavras que ouvira de manhã mais nada fluíra no meu pensamento. Tinha de ir. E esse peso marcava-me as costas. Queria viver o resto da tua vida, ali, da forma que o tinha feito nos últimos tempos, dando-te o maior antídoto que tinha ao meu alcance.
Mas as palavras e o pensamento deturpavam a minha paz, aquela que encontrei por saber que fiz tudo o que pude e que tudo o que fiz foi com amor, uma paz que só alcancei verdadeiramente algum tempo mais tarde quando percebi que não te tinha perdido (...) eu nunca te perdi! Se permanecesse junto a ti mais algum tempo naqueles instantes o meu mundo desabava e ai o único antídoto que te podia dar quebrar-se-ia, por isso fui,sabia que estavas em paz.
Levei um aperto comigo,uma angústia, comecei a preparar-me para o que as pessoas dizem ser o pior, mas por muito que me tenha magoado, por muita falta que me faças, por muitas lágrimas que me percorram o rosto tu atingiste a paz, ao contrário do que tinhas passado nos últimos tempos. Estavas tranquilo, e isso acalentou-me. Hoje agradeço poder ter estado contigo. Hoje agradeço por te trazer dentro de mim para sempre.
Quando cheguei estava tudo basicamente na mesma. A respiração mantinha a tendência de ir diminuindo, estavas a caminhar para outro sitio. (...) Sentei-me junto a ti naquela noite, dei-te a minha mão, apertei bem a tua, queria que soubesses que independentemente do sitio onde estivesse iria estar contigo até ao fim da vida, queria que levasses tudo o que vivemos para onde quer que fosses, queria que soubesses naquele instante o quanto te amava (e amarei toda a vida), queria que fosses em paz, porque eu sabia que estavas a ir aos poucos. A cada pestanejar mais fundo em que os olhos pareciam demorar mais a abrir apertava a tua mão com a força de todo o amor que sentia dentro do meu coração, a mesma força que nos unia e unirá para sempre, a força que me garantia que na realidade nunca te iria perder.
Ao passar dos minutos, os olhos começavam a teimar em permanecer mais tempo fechados, e isso perturbava-me de certo modo. Não queria ver-te partir, não sei se teria coragem para isso, se teria frieza suficiente. Tu continuavas ali (...) os meus pensamentos deambulavam a um ritmo alucinante em que me debatia com a vontade de querer estar contigo até ao último minuto e a minha capacidade para isso, nesse momento caiu uma lágrima e ao sentires, apertas-te a minha mão. Tu entendeste tudo, tudo aquilo que eu queria que soubesses e não consegui dizer de outra forma.
Deixei-te ali, quis que descansasses naquele instante em que tive a certeza de que NADA FOI EM VÃO QUANDO É DO CORAÇÃO! Adormeci e acordei com a noticia, aquela que todos sabíamos(...) Obrigada.
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