Nos dias de hoje ter um emprego é um privilégio. Muitos são os homens e as mulheres que têm de se separar da sua família para poderem garantir o sustento da mesma com a aceitação de empregos que os afastam de casa quer física quer psicologicamente.Quando se tem dependentes a cargo aumenta o stress, e é acarretada uma dependência física e financeira em relação a quem cuida. Impõem-se uma questão que pode resultar num dilema: O que será mais importante? Manter um emprego que conceda a estabilidade financeira de forma a suprir as necessidades económicas da família ou abandonar o emprego em prol da prestação de cuidados ao dependente?
Uma questão controversa que terá em cada família as suas especificidades. Não existe por isso uma receita especifica, sendo que cada caso é um caso.
Podem existir famílias em que o salário do cuidador não afecta de forma significativa a sustentabilidade financeira do restante agregado familiar, por exemplo quando um dos membros da família tem um rendimento razoável ou a pessoa dependente contribui para o orçamento familiar (através da partilha da pensão de reforma). Nesses casos poderão equacionar-se formas de contornar essas questões quer através da institucionalização da pessoa, ou através da contratação de cuidadores não formais que prestem esse serviço no domicilio.
No entanto, e uma vez que isso não está ao alcance da maioria das pessoas a solução encontrada passa ou pela institucionalização efectiva da pessoa que em grande parte vai preencher vagas sociais, ou uma articulação entre os diversos membros da família, levando em última instância ao abandono do posto de trabalho.
É uma tarefa árdua chegar de ânimo leve a casa após um dia de trabalho e ter de esboçar um sorriso a quem até porventura nos tenha feito perder horas de sono. Podemos estar exaustos, mas tentamos até ao máximo conseguir dar o melhor de nós a quem recebe tão pouco.Mas e nós? Os nossos sentimentos e as nossas fragilidades? Onde estão, para onde os enviamos? Que muro é esse que os cuidadores vão construindo de dia para dia de forma a edificar uma barreira para que os sentimentos não venham a comprometer a eficácia da prestação dos cuidados?
É uma defesa. Posso mesmo defini-la como natural, na medida em que sobrepõe as necessidades do nosso familiar às nossas próprias necessidades. Porque não sabemos quanto tempo o teremos ali e consigamos perpetuar a união das nossas mãos e o tempo que o tivermos queremos demonstrar o que significava para nós.
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