Não se sinta mal ou frustrad@ por todas as suas tentativas de melhorar a qualidade de vida do seu familiar não darem frutos.
Normalmente a alteração do seu estado de consciência levam a que deixe de ter a noção dos seus comportamentos, bem como de reconhecer os cuidados que lhe são prestados, nem quem os presta.
Descarrega muita da sua mágoa em quem dele cuida, aumentando assim a exaustão do seu familiar.
Do lado de quem cuida assiste-se a uma progressão no tempo que vamos dispensando exclusivamente a este ente querido. Ve-mos as nossas rotinas diárias alteradas e o tempo para nós próprias escasseia.
Um desgaste que não é só físico nem psicológico, mas também emocional. Trazemos connosco um misto de sensações em que as palavras que inconscientemente dizem são como pedras dentro de nós, mas cada silaba ou grito desperta em nós todos os sentimentos que nutrimos na realidade por essa pessoa. O amor que nos corre nas veias, chama-nos de volta e nós damos o melhor que podemos para que os seus dias sejam o melhor possível.
A agitação tremenda a que está expost@ impede-@ de ter sonos regulares, levando consequentemente à sua alteração dos períodos de descanso.
Tem ocupação para as 24h do dia, esforça-se para conseguir dar resposta a cada grito ou "gemido" entre a preparação das refeições, as higienes, as mudas de fraldas interrompe cada tarefa as vezes que for solicitada. Vive para ele.
"Mas não se esqueça de si", dizem-lhe muitas vezes vozes que se aproximam num ou noutro momento, como se soubessem verdadeiramente o que estavam a dizer. Apesar de não terem a noção muitas das vezes do que implicava "não nos esquecermos de nós", estariam certas no rumo em que deveríamos de tomar pelo menos de vez em quando.
Quando dizem "não se esqueça de si" dizem para tirarmos algum tempo para nós, nem que seja para sair com umas amigas, ler um livro ou ir ao cabeleireiro. Se isso faz bem? Claro que faz! Seria uma mais valia, poderia respirar fundo distanciada daquele cenário que tanto @ perturba. E eu recomendaria isso vivamente, se não soubesse que isso não seria assim tão fácil.
Se é @ cuidador@ principal, sabe do que estou a falar.
A habituação a que se foi submetendo quer a si quer a ele, tem em si um conjunto de normas e de procedimentos que se estabeleceram na relação de cuidados entre si e o doente. Não se trata de ter ou não capacidade de prestar um determinado cuidado, mas sim a forma como ele é feito.
No entanto, se tem algum tipo de ajuda a que possa recorrer durante algumas horas aceite-a. Mesmo que não passe duas ou três horas no shopping, prolongue as idas ao supermercado por exemplo a tomar um café com amigos, pois as relações interpessoais desenvolvem a nossa rede de suporte informal e ajudam-nos a libertar a tensão acumulada das tarefas e cuidados desempenhados diariamente.
Mesmo que seja pouco tempo, tire algum para si. Faça uma caminhada, apanhe sol e desenvolva algum tipo de actividade ao ar livre para renovar as energias.
Um espaço que nasceu do amor, da troca de sentimentos e dos cuidados de uma neta (eu) ao meu avô. A prova que o amor não tem de morrer com ninguém e quando amamos alguém amamos além da morte. Temos desafios, batalhas e outras coisas na vida que nos fazem lutar, que nos magoam e ainda assim nos fazem crescer porque aprendemos com elas. Foi a minha experiência com alguém que eu amava e amo muito, que me foi deixando de reconhecer.
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