E mais um natal, mais um ano de ausências, de lugares vazios, de lumes apagados (...)
Mais um longe de te ver, mas perto do teu olhar,
Mais um ano em que o dia 11 me amedronta, pela saudade que foi ver-te partir, pela tristeza de não te poder ver mais...
Faz amanhã três anos que me despedi de ti, uma despedida continua que vinha fazendo há já algum tempo para me preparar para o dia em que te iria deixar de vez (pelo menos pensava assim).
Tanta coisa mudou nestes três anos, e a falta que me fazes era para comemorar todos os sucessos que eu pude alcançar muito devido à forma que tu me ensinaste a crescer. (...)
Meu "Verdocas", sei que estás contente estejas lá onde estiveres, e que aguardas pacientemente para que possa pôr em prática tudo o resto que temos vindo traçado. As coisas virão a seu tempo, e sei que jamais me irás deixar a remar sozinha, acreditas nisso tanto quanto eu, e serás sempre o meu amparo quando as forças teimarem em fraquejar, ou quando achar que a luta possa ser demasiado tenebrosa. Tu estarás sempre mais perto do que eu alguma vez pensei que pudesses estar.
Vai ser um novo ano em que a tua presença estará para além do visível, mais um. Mais um em que não te vou poder abraçar (...) mais um.
E tanto que eu queria um abraço teu agora ...
Relembro o dia 10 de Janeiro de 2013, relembro aquela noite, que supostamente seria véspera de frequência de Psicologia Social, a noite que eu temia devido ao gélido ultimato do homem de barbas que sem dó nem piedade te leu a sentença ali mesmo à cabeceira... As mesmas palavras que se ecoaram todo esse dia enquanto os apontamentos da matéria me ornamentavam as mãos, como se aquilo me fizesse sentido. Eu sabia, e eu não temia a tua morte, hoje sei que temia a tua ausência, atormentava-me a dor de poder vir a sentir algum vazio deixado em mim, mas não. Por muito que isso me gelasse, fortificou-me, e fez-me perceber que quando há amor nada nem ninguém morre dentro de nós. Poderás estar mais vivo do que nunca, e és tu que estarás lá sempre!|
Na vida nada se perde, tudo se transforma, e na realidade foi só isso que aconteceu.
Naquela noite fria, eu trazia já as costelas cravadas nas costas com o desassossego enfadonho de querer saber de ti, assim que cheguei fui ter contigo. A cada segundo a tormenta aumentava, não conseguia distanciar-me, não conseguia deixar-te ali friccionando os teus débeis ossos no colchão de pressão que tínhamos arranjado para que pudesses ter algum conforto. Já mal respiravas, e o meu peito estava apertado por causa disso, a sensação de impotência estava a queimar-me, a queimar-me demasiado e eu sentia-me a sufocar...
Apertei a tua mão, impulsionava a força cada vez que os teus olhos pareciam fraquejar, eu queria-te ali VIVO! Eu sabia que aquilo não se iria prolongar muito mais tempo, e eu não te queria deixar sozinho, mas ver-te morrer ia doer demais. Levantei-me quando por momentos sossegaste, parecias-me tranquilo e lá fui descansar. E na madrugada seguinte foi tarde demais.
Há três anos que é assim...
Fazer dos anos bons anos, depende da nossa luta, daquilo em que acreditamos, daquilo que nos faz feliz e do que fazemos para fazer os outros felizes.
"Façam o bem e o resto vem" Bom ano!
Um espaço que nasceu do amor, da troca de sentimentos e dos cuidados de uma neta (eu) ao meu avô. A prova que o amor não tem de morrer com ninguém e quando amamos alguém amamos além da morte. Temos desafios, batalhas e outras coisas na vida que nos fazem lutar, que nos magoam e ainda assim nos fazem crescer porque aprendemos com elas. Foi a minha experiência com alguém que eu amava e amo muito, que me foi deixando de reconhecer.
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