Soltar um sorriso encorajador quando o que mais nos apetecia era chorar porque até nos mesmos nos sentimos a perder o chão e a deixar escapar toda a nossa esperança vã.
Engolimos essas lágrimas, respiramos e sorrimos porque a vida não pode terminar assim, porque temos o dever de fazer mais. A "obrigação" essa obrigação atroz que nos sucumbe a garantirmos a vida de alguém esquecendo-nos muitas vezes de nós mesmos. É uma rotulagem quase instantânea, que se exprime simplesmente pela admiração de ver algum rosto desses supostamente sucumbido a garantir o bem estar de alguém que ao estar presente num evento ou algo que envolva lazer é alvo de criticas e comentários negativos. Como se aquela pessoa simplesmente por "desligar" o modo cuidador duas ou três horas deixasse de ser um bom filho, nora, neta ou simplesmente cuidador.
O que muitas pessoas ignoram é que aquele tempo (por pouco que seja) ajuda a libertar a tensão que esta tarefa acarreta (sim porque ela existe e acumula-se). São estes pequenos momentos que além de nos valorizarem, nos ajudam a respirarmos quando estamos prestes a descarregar tudo o que sentimos de forma drástica.
Pequenos momentos que pela sua escassez ou simples inexistência confinam a pessoa cuidadora a um papel principal e exclusivo para o bem e para o mal que não lhe deixa espaço para se dedicar um pouco a si. O alastrar deste cenário pode acarretar consequências bastante adversas quer para quem cuida quer para o ser cuidado.
Falo de stress e de burnout dois estrangeirismos pomposos que se resumem à palavra cansaço, como se assim se aligeirassem mais os seus efeitos.
O stress é considerado um estado destabilizador a nível físico, emocional e social. Sendo no fundo uma resposta do organismo a uma situação que seja ameaçadora para a pessoa, podendo levar a que esta se torne disfuncional.
Enquanto cuidadora desesperei muitas vezes. Chorei. Gritei. Sentia-me muitas vezes frustrada, já não sabia mais que fazer. Nunca pensei naquele tempo que poderia fazer qualquer coisa mais interessante naquele período, mas pensava que a certo ponto aquilo era ingrato porque não só eu sofria como via sofrer cada vez mais alguém que amava e isso doía muito porque na realidade fazia tudo quanto podia e isso não chegava.
Ao falar de cansaço as pessoas pensam em cansaço físico: dores, hábitos de sono alterados, desconforto (...)
Mas e as emoções? Onde ficam? Vão-se acumulando, gerando depressões, sentimentos de culpa, angustia.
O síndrome de Burnout,definido por vários investigadores que consideram tratar-se de uma situação de exaustão, ou seja de um estado de stress crónico, ou seja não surge do nada é aquilo a que chamamos muitas vezes "bola de neve"em que um problema acaba por acarretar outros.
"O conceito de Burnout começou a aparecer nos anos 70 por Freudenberger e Maslach, onde chamavam a atenção que o Burnout é uma exaustão a nível intelectual, social e profissional. (Cf. Carrera, 2011:11)
Este conceito foi descrito por Herbert Freudenberger (1974) como “um estado de fadiga ou de frustração motivado pela consagração a uma causa, a um modo de vida ou a uma relação que não correspondeu às expectativas.”(Cf.Carrera citando Freudenberger, 2011:11)"
In:BERNARDO, Telma; Serviço social: Stress e Burnout; Instituto Politécnico de BejaEscola Superior de Educação de Beja disponível aqui: http://www.cpihts.com/PDF08/Telma%20Bernardo.pdf
Se quiser saber mais sobre este tema inscreva-se no workshop da MDC Síndrome de Burnout (em Portalegre realizar-se-á a 28 de Março)
Veja aqui os detalhes:http://mcardosoadmin.siteinstantaneo.smartcloudpt.pt/index/index/page/burnout


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