O mal nem sempre calha apenas aos outros, quer queiramos quer não podemos sempre vir a defrontar-nos com quadros de demência no nosso núcleo de relações mais intimas.
Maria é exemplo disso mesmo...
Filha única que vivia com o marido viu a sua vida não lhe dar o merecido descanso após a reforma.
Gente trabalhadora e honesta, encontrou no seu marido o grande apoio quando se viu na obrigação de ser ela a cuidar da sua mãe.
Francisca, cerca de vinte anos mais velha acabava de ser diagnosticada com a doença de alzheimer.
2008 era assim marcado desta forma trágica em que ainda pouco reconhecimento era dado à doença.
Foi com angústia e cansaço que acolheu a sua mãe em casa e passou a viver a vida em função dela.
O tempo passou num ápice ao mesmo tempo que parecia estar numa inércia constante que prendia Maria para sempre à sua mãe.
"Prendia para sempre" mais que o próprio nascimento e concepção agora estavam unidas de uma forma ainda mais forte.
Mas ao mesmo tempo que se sentia exausta, sentia-se útil. A exaustão e incapacidade em suprir os cuidados de Francisca levou a que a sua filha optasse pela institucionalização.
Sem saber o que fazer Maria, começou por institucionalizar a sua mãe na sua área de residência mas acabou por ter de a transferir para outra resposta.
Apesar de estar ainda há alguns quilómetros de distância e de não ser aconselhável às patologias que tem Maria visita semanalmente a sua mãe.
Um espaço que nasceu do amor, da troca de sentimentos e dos cuidados de uma neta (eu) ao meu avô. A prova que o amor não tem de morrer com ninguém e quando amamos alguém amamos além da morte. Temos desafios, batalhas e outras coisas na vida que nos fazem lutar, que nos magoam e ainda assim nos fazem crescer porque aprendemos com elas. Foi a minha experiência com alguém que eu amava e amo muito, que me foi deixando de reconhecer.
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