segunda-feira, 17 de março de 2014

Testemunho nº3 O avô Joaquim por Carla Pires


O estudo de caso que vou relatar é a história verídica do (Avô Joaquim: o meu avô) que de uma forma rápida evolui para um quadro clínico complexo da doença.
No caso que descrevo a doença deu os primeiros sinais/ sintomas por volta dos 72/73 de idade. Prolongou-se pelos vários estadios (I,II,III). Foram sete anos de sofrimento, de angústias, de alegrias, de amor puro e verdadeiro, de afeto, de respeito e de cuidados infinitos para proporcionar, ao Ser Humano, ao Homem, ao Pai e ao Avô todos os cuidados, desejos e satisfações. A família moveu-se em torno de um objetivo: ajudar a viver este homem com dignidade.

Viver diariamente com um doente de Alzheimer e proporcionar-lhe todos os cuidados não é fácil para o cuidador, exige um grande esforço físico e psicológico.
Ao longo destes sete anos a vida de cada uma das três mulheres desta família, sofreu grandes alterações. A avó Catarina, que sempre cuidou do seu marido deixou de ter forças para o fazer, deixando de poder adormecer ao lado daquele que foi o seu único amor, a filha pediu licença de apoio à família e ao fim de algum tempo não conseguiu manter o seu trabalho, devido à falta de políticas de apoio ao cuidador. A neta, que era trabalhadora-estudante, deixou de estudar para ajudar no que fosse necessário na prestação de cuidados ao Avô.

Da consulta com o médico de família, não foi apresentado um diagnóstico válido e nem sequer foi medicado.
A família reuniu-se e questionou-se sobre o que poderia estar a acontecer com o Avô Joaquim.
A Avó Catarina apresentava alguns problemas cardíacos e procurou-se salvaguarda-la dos problemas que iam surgindo.
As consultas com o Avô Joaquim eram quase diárias. Recorreu-se a consultas de Neurologia e Psiquiatria tanto no Sistema Nacional de Saúde como no Privado. Os especialistas não avançavam com qualquer tipo de diagnóstico, apenas diziam que era da velhice e o tempo continuava a passar e os sintomas persistiam e agravavam-se.

A família não se resignou e decidiu ir para Espanha para uma clínica privada.

A partir desse momento a vida do Avô Joaquim mudou e a vida da família nuclear teve que ser repensada em todos os aspetos: social, económico, habitacional e profissional.
O avanço da doença de Alzheimer foi muito rápido e rapidamente evoluiu para uma fase de dependência bastante avançada.
O Ansião da família sempre pediu para não ser institucionalizado. ” Por favor nunca me levem para um lar, se não eu morro nesse momento. Eu sempre fui um homem livre e não me metam dentro de uma gaiola…”
A família sabia que a institucionalização não era a melhor solução, se não o seu estado de saúde com certeza que se iria agravar.

Autora: Carla Pires. Texto com supressões.


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