Faz hoje um ano que te vi partir, não foi de ânimo leve que aceitei que me ias soltando a tua mão para começares a caminhar numa direcção em que eu já não te conseguiria apanhar.
Estou a recordar-me de mil e um desses pedaços de tempo que preferia voltar a viver agora em vez desta tua seca ausência. Todas as fugas, em que era um alivio conseguir demover-te a tempo... Agora deparamos-nos com uma fuga irreversível em que continuamos na ânsia de te voltar a encontrar.
A perda... é uma pedra no estômago, uma dor que nos enfraquece sempre que perdemos quem mais gostamos. Perder nunca é fácil, é uma dor que nos espreme o coração em lágrimas, uma tristeza que nos consome. E os cuidadores? Será assim tão fácil reestabelecer a nossa própria vida que tivémos em stand by durante três, seis ou mais meses de um momento para o outro? Nós vivemos hibernados do nosso mundo a fazer o que melhor sabemos para que eles estejam melhores, esquece-mo-nos de nós e mergulhamos nos afazeres de uma luta incessante por uma vida que não nos pertence. E nem notamos que deixamos de ter o nosso tempo, as nossas coisas, para ter só as deles, só para eles.
E quando eles deixam de existir a nossa missão finda e nós deixamos de saber o que fazer, já não sabemos quem fomos ou o que temos de fazer porque a isso corresponde agora um vazio deixado no rasto de quem nos deixou.
Não é fácil para quem vai, mas também não o é para quem fica. Esteja lá onde estiver que sinta esta saudade de quem o ama, e que fique sempre em paz. <3
Um espaço que nasceu do amor, da troca de sentimentos e dos cuidados de uma neta (eu) ao meu avô. A prova que o amor não tem de morrer com ninguém e quando amamos alguém amamos além da morte. Temos desafios, batalhas e outras coisas na vida que nos fazem lutar, que nos magoam e ainda assim nos fazem crescer porque aprendemos com elas. Foi a minha experiência com alguém que eu amava e amo muito, que me foi deixando de reconhecer.
sábado, 11 de janeiro de 2014
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